D009 | Ana Pereira no Round the Corner

© Ana Pereira

ANA PEREIRA | * DE QUE TAMANHO TÊM DE SER AS MINHAS IMAGENS PARA ESTAREM NESSA PAREDE? *

Sinopse |

O ultimo post do ano | Vila do Conde, 08,12,09

Adormeço com o caderno afegão, o yoga e os minutos.
Acordo como sempre várias vezes pela madrugada, os sons da porta, os banhos, as preparações matinais.
Voltamos a dormir.
Sonho muito, que choro porque sou preterida e com obras que são ao mesmo tempo vertiginosas  de precipício e de recuperação de património. várias realidades, egrégoras juntas.
Acordo. café, email. ainda não há dinheiro nem colocações.
Preparo-me e saio para o atelier.
Está sol, o saco com os livros e o computador na outra mão pesam. o rapaz da loja dos animais já lá está, vejo os pátios semi-abandonados com flores, penso na meia elástica que a minha mãe deveria ter.passo numa loja com santos e penso em entrar. arrependo-me, é uma funerária.
Sigo em direcção da biblioteca. encontro a senhora simpática da loja de fotografia, partiu o braço ao cair na rua.
Sigo, está calor, passo em frente à loja dos pais da mafalda, penso na angélica.
Não gosto de fwd de emailes, nunca os abro, só os da minha irmã e da rosa.
Sigo. passo na minha antiga casa. a mãe da magui. lembro-me da catalina que afinal é mais alta do que eu me lembrava.
Cheira já a mar.os sacos pesam.tenho calor. não penso em mais nada.penso no meu pai que talvez gostasse de caminhar em frente ao mar.
Viro a rua. vejo os gatos, as janelas, as flores, vejo pouco porque vou cheia de calor só concentrada em mim.
Vejo o pai bonito, do filho bonito que vivem na casa bonita em frente ao atelier.
É bom vir para o atelier, mas sinto falta da vida humana à minha volta.
Faço um café, abro as janelas, ponho um pau de incenso tibetanto a arder, coloco tudo na mesa e começo a escrever.
O caderno vermelho.

*O título desta intervenção prende-se com a problemática levantada por Michael Fried no livro Why Photography matters as art as never before no qual o autor aborda a questão do TABLEAU FORM- primeiramente analisada por J.F.CHEVRIER, problemática inerente à fotografia contemporânea e à sua colocação em contexto expositivo:

‘ a tendency toward a considerably larger image-size than had previously been thought appropriate to art photography(…) an intention that the photographs in question would be framed and hung on the wall, to be looked at like painting…’

Biografia |

Nasci em Moçambique em 1974

Vivo no Porto desde 1993 e sou fotógrafa profissional desde 1998 nas áreas de imprensa, fotografia de cena, assim como  fotografia comercial e institucional.
Actualmente estou a realizar um mestrado em fotografia e cinema documental, na Esmae, IPP.
Sou Membro do TPP – The Portfolio Project – desde Janeiro de 2010.

Exposições e projectos |

Co-autora da produção visual para a leitura encenada de ‘Uma Familia Inglesa’ no Teatro Campo Alegre, em Dezembro de 2009.
Participação no Feminizarte, em Braga, em Novembro de 2009, com fotografias da série As Filhas de Lilith.
Expõe o projecto: A tela de uma história que não se acende, em 2009 na associação Ao Norte, em Viana do Castelo, no Centro Cultural Vila Flor, em 2008 na galeria Solar, Vila do Conde e no Silo/CPF.
Realiza o projecto site specific impressoimproviso desde 2007, com Geo de Souza e Mafalda Martins.
É um dos artistas portugueses seleccionados para a Mostra de Jovens Artistas Europeus, (http://www.jeunecreation.eu) em Montrouge França, em 2006, com o trabalho ‘Uma tela duma história que não se acende’.
Participa na exposição colectiva do Espaço T ‘Escolher um sentido’ em Junho de 2006, com o trabalho ‘Afinal Alice, não havia nada do outro lado.’
Exposição individual ‘Afinal Alice, não havia nada do outro lado’, no Contagiarte, em Novembro de 2005.
Expõe o trabalho ‘Garbage Story’s’ na galeria 555, no Porto em Julho de 2005.
Ganha uma menção honrosa no concurso Novo Talento da Fotografia Fnac-Portugal, em Junho de 2003.

Weblink | http://www.theportfolioproject.org/anapereira

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